A descoberta do câncer é um momento difícil e muito doloroso para qualquer paciente. Vencer a doença, após ter passado por três experiências dessa mesma enfermidade, deixa transparecer a determinação e fé para o enfrentamento à patologia. Exemplo de superação, a professora aposentada e beneficiária do Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde), Rosa Maria da Cruz Cordeiro, atendida pelo programa Ipesaúde Você, relata que atualmente está na fase de manutenção e que se sente muito feliz por viver.
Esposa, mãe de três filhos e avó de sete netos, Rosa Maria descobriu o primeiro câncer em 2002, no útero, e a detecção foi feita por meio do exame de citologia e colposcopia, conhecido como Papanicolau. Após a descoberta, ela contou com o Ipesaúde para a realização das consultas médicas e todos os exames necessários para o tratamento da doença. “Foi difícil tanto para mim como para a minha família. Meus filhos eram pequenos”, revela. O tratamento foi feito no Hospital de Cirurgia, onde fez quimioterapia e radioterapia. Ela também teve que fazer a histerectomia, que é a remoção cirúrgica do útero.
O tratamento surtiu efeito, Rosa Maria, então ficou em monitoramento, indo ao oncologista e fazendo exames de dois em dois meses. Mas, em 2008, foi descoberto um nódulo no fígado e ela teve que retomar o tratamento da doença. “Chorei muito quando soube, o câncer estava mais evoluído, representou um novo baque para mim”, diz. A paciente, então, recomeçou todo o processo de quimioterapia e radioterapia. E conseguiu novamente vencer.
Mapa Genético
Preocupada em saber se teria novos nódulos, Rosa Maria fez um Mapa Genético, que constatou que ela teria câncer de mama aos 50 anos. Na família dela, a mãe faleceu de câncer de pâncreas e a irmã, de câncer de mama. O Mapa Genético, tanto da família materna como paterna, apresentava a predisposição para o câncer. “Como eu sou muito vaidosa, eu não aceitei o resultado apresentado no Mapa Genético.
Comecei a rejeição, porque, queira ou não queira, você passa, por tem que vivenciar tudo novamente. É difícil, e o que me fez sair desse processo de depressão foram meus filhos. Eu pensei que não veria a minha filha fazer 15 anos, hoje ela está com 42”, afirma.
Com a previsão do Mapa Genético, Rosa conta que quis se antecipar ao processo. “Quis tirar tudo e fiz a mastectomia, que é uma cirurgia para a remoção total da mama. Coloquei próteses e não fiz quimioterapia e nem radioterapia, porque foi uma prevenção”, explica. A aposentada disse ainda que as pessoas afirmam que o câncer não é genético, mas ela tem certeza que é. O meu filho também fez o Mapa Genético e o resultado indicava que ele teria a doença, ele fez a prevenção e, graças a Deus, hoje está bem, casado, com filhos”, relata.
Superação
“Graças a Deus vi meus filhos se casarem, superei. Sempre colocava assim para mim: eu tenho que vencer o câncer e o câncer não me vencer. Agora estou na fase de manutenção, quando o médico pede todos os exames e, de três em três anos, faço o Pet Scan, exame de imagem que verifica se há novos nódulos. Por isso que estou aqui, sendo acompanhada pelo Ipesaúde Você, por causa das manutenções. Quando cheguei aqui estava péssima, mas o atendimento que recebi foi caloroso, de filha para mãe, e hoje me sinto muito bem”, revela, agradecida.
Segundo ela, na hora que mais precisou o Ipesaúde se fez presente. “Eu amo o Ipes, ninguém me fale mal, porque o instituto é tudo para mim. É o melhor plano. Quando perguntam qual é o seu plano? Eu respondo: o melhor plano de Aracaju, porque eu só tenho a agradecer”, enfatiza.
Para as pacientes que estão no início do tratamento, ela aconselha que tenham força e fé de que vencerão. “É difícil, mas quem está falando aqui é quem sentiu na pele. Acredite que vai vencer. Mesmo que você esteja em metástase, força, agora nós temos paliativos. Viva, ame a sua família, entenda que eles também estão sofrendo com você, seja paciente, porque a paciência e humildade são tudo nessa hora. Lute com garra e fé, que tudo vai passar”, orienta.
Ipesaúde Você
A coordenadora do programa Ipesaúde Você, Ana Paula Carregosa Reis Viana, afirma que sempre que os pacientes recebem alta e dão início à fase de seguimento da doença vão até a Sala de Acolhimento para agradecer. “Eles vêm muito aqui para informar que já realizaram a cirurgia, que já concluíram a quimioterapia. Cura mesmo, eles nunca chegam dizendo por causa do período de remissão, que leva cinco anos”, afirma.

Conforme Ana Paula, quando o paciente está bem, a sensação de todos que trabalham no ‘Ipesaúde Você’ é de dever cumprido, do reconhecimento do trabalho que está sendo realizado. “Ver que aquela pessoa que você acompanhou teve um resultado positivo é indescritível. Até o momento, não tivemos nenhum evento relacionado a óbito dos pacientes atendidos e isso para a gente também é uma vitória”, salienta.
Programa Ipesaúde Você
No último dia 14 de setembro, o programa Ipesaúde Você completou um ano de implantado. De acordo com Ana Paula, o objetivo do programa é atender os pacientes oncológicos, acolher, orientar, verificar se o paciente tem alguma pendência com relação a exame, consulta, procedimento, e tentar minimizar o tempo de espera.
Desde que o programa foi iniciado, já foram realizados mais de 3 mil atendimentos aos beneficiários. Para Ana Paula, o projeto vem cumprindo o objetivo de acolhimento, orientação e escuta. “Temos recebido bastante elogios em relação ao acolhimento feito pela nossa equipe, composta por três assistentes sociais, dois servidores administrativos e uma estagiária de Serviço Social”, diz.

