As novas Diretrizes Alimentares dos Estados Unidos 2025–2030, divulgadas no início de janeiro deste ano, reacenderam no mundo o debate sobre alimentação saudável. Atento a temas que impactam diretamente a qualidade de vida dos beneficiários, o Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) chama a atenção para a importância de escolhas alimentares conscientes como parte do cuidado integral com a saúde.
O novo modelo alimentar dos Estados Unidos recomenda maior consumo de alimentos integrais e proteínas de qualidade, além da redução de ultraprocessados e do açúcar adicionado. Para o Brasil esse debate não é novidade. Há mais de uma década, o Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), já orienta a população a evitar ultraprocessados e a priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, arroz e feijão. A regra “descascar mais e desembalar menos” se tornou, inclusive, referência internacional.
Mesmo assim, a atualização do modelo americano reforça a atualidade do tema, sobretudo diante do crescimento de doenças crônicas, como obesidade e diabetes, condições que podem ser prevenidas e controladas com hábitos alimentares mais saudáveis, alinhados às orientações dos profissionais de saúde.
Mudança da pirâmide dos Estados Unidos
Profissional do Centro de Endocrinologia e Diabetes do Ipesaúde, o nutricionista Noel Andrade explica que a principal mudança na pirâmide alimentar dos Estados Unidos está na reorganização dos grupos alimentares. “As proteínas estavam no meio da pirâmide e foram para o topo como prioridade. Elas tiveram um destaque como alimento saudável para a população”, explica. O grupo inclui proteínas de origem animal e vegetal, além de laticínios como leite, queijos e ovos.
Para Noel, essa mudança aproxima os norte-americanos de um modelo que o Brasil já adota há muito tempo. “A gente já pratica a pirâmide alimentar que o Estados Unidos está aplicando agora. Nós já praticamos essa alimentação saudável. Na verdade, eles têm que aprender muito com a nossa pirâmide porque o nosso Guia Alimentar é o modelo que só hoje os Estados Unidos têm”, avalia.
Outro aspecto relevante é a mudança no papel dos carboidratos refinados, que ocupavam posição central nos anos 1990. “A antiga pirâmide tinha como base o carboidrato refinado e agora priorizam a proteína, os legumes. Isso vai conscientizar mais a população a ter menos pessoas com obesidade, diabetes, com menos doenças metabólicas”, explica o nutricionista do Ipesaúde.
Proteínas em alta, mas com equilíbrio
Noel Andrade chama atenção para interpretações equivocadas que surgiram após a divulgação da nova pirâmide americana, especialmente ligadas a dietas extremas. “Está acontecendo um burburinho de alguns nutrólogos, por exemplo, que adotam dieta cetogênica ou carnívora. Como a prioridade agora dos Estados Unidos são as proteínas, esses profissionais estão colocando como se as proteínas fossem o alimento mais importante. Mas não são. Temos que entender que todo alimento é importante, sejam eles proteínas ou lipídios e carboidratos, como arroz integral, verduras, legumes”, pontua.
Impactos na saúde e na conscientização
Do ponto de vista metabólico, segundo o nutricionista, a alteração na pirâmide alimentar dos norte-americanos tende a gerar impactos positivos, sobretudo em um país marcado pelo consumo excessivo de ultraprocessados. “Quando a gente fala dos Estados Unidos, sabemos que é um país rico em alimentação de fast food, McDonald’s, KFC. Então, para eles, essa mudança vai impactar muito, porque vai conscientizar a população a não estar consumindo esse tipo de alimento e sim trazer uma alimentação à base da terra, com proteína de qualidade, legumes, frutas, verduras”, afirma Noel.
Para ele, independentemente do país ou do modelo alimentar adotado, a mensagem central permanece a mesma: individualização, consciência alimentar e buscar ajuda sempre que necessário. “Quando falamos de alimentação saudável, é sempre importante que você busque um profissional da área para que ele monte um plano de acordo com a sua necessidade, porque não é só comer por comer”, afirma.
“É bom ter essa consciência do papel dos grupos alimentares. A própria pirâmide alimentar vem para ensinar, mostrando a função da proteína, carboidrato e gorduras no nosso corpo. Então, sempre gosto de passar isso para os meus pacientes, para que se conscientizem e mudem hábitos. A alimentação é importante para que a gente viva mais com saúde”, complementa Noel Andrade.
Alimentação dos beneficiários
Entre os beneficiários do Ipesaúde, a alimentação saudável já integra a rotina de muitos. É o caso de Paula Daniele, que faz acompanhamento nutricional e segue um cardápio elaborado pela profissional. “Nem sempre é fácil manter tudo à risca por vários fatores. Quem trabalha fora, por exemplo, muitas vezes precisa se alimentar fora de casa, o que acaba dificultando seguir exatamente o plano alimentar. Ainda assim, eu tento ao máximo. O mais importante é não desistir”, relata.
Para Paula, o cuidado com a alimentação deve ser uma prioridade. “Hoje vemos muitas doenças relacionadas ao sobrepeso e à falta de uma alimentação adequada. Por isso, acredito que a maioria das pessoas precisa ter esse cuidado no dia a dia”, completa.
Dalton Nascimento da Silva, beneficiário do Ipesaúde, também busca ter uma vida regrada por meio das comidas que consome. “Alimentação saudável para mim é comer verdura. É vida, né? Eu tenho uma dieta equilibrada com certeza”, afirma.

Foto: Ascom Ipesaúde 
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Nutricionista Noel Andrade. Foto: Ascom Ipesaúde 
Beneficiária Paula Danielle. Foto: Ascom Ipesaúde 
Beneficiário Dalto Nascimento. Foto: Ascom Ipesaúde

